A busca pela regularização migratória em Portugal leva, por vezes, à procura de caminhos que parecem mais rápidos ou simplificados. No entanto, o recurso ao chamado casamento por conveniência em Portugal — também conhecido como casamento simulado ou união de facto simulada — é um atalho extremamente perigoso.
Longe de ser apenas uma questão administrativa passível de anulação, esta prática pode configurar um crime previsto na Lei de Estrangeiros em Portugal, com consequências graves no âmbito do direito penal português.
Se está a planear o seu processo de residência ou conhece alguém nesta situação, é fundamental compreender os riscos jurídicos envolvidos para evitar decisões que possam comprometer a sua liberdade e permanência legal em território português.
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O que é o Crime de Casamento por Conveniência?
De acordo com a legislação portuguesa, o casamento de conveniência ocorre quando duas pessoas contraem matrimónio ou iniciam uma união de facto com o único objetivo de obter ou facilitar a obtenção de visto, autorização de residência ou cartão azul UE.
Nestes casos, não existe uma verdadeira intenção de constituir família ou partilhar uma vida em comum. O relacionamento é utilizado apenas como instrumento para contornar as regras da imigração portuguesa.
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A Definição Legal (Artigo 186.º da Lei n.º 23/2007)
A moldura penal prevista na Lei de Estrangeiros é clara e rigorosa:
“Quem contrair casamento ou viver em união de facto com o único objetivo de proporcionar a obtenção ou de obter um visto, uma autorização de residência ou um «cartão azul UE» […] é punido com pena de prisão de um a cinco anos.”
No contexto da advocacia criminal em Portugal, este tipo de situação é tratado com elevada seriedade pelas autoridades migratórias e pelo Ministério Público.
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A Tentativa Também é Punível
Muitas pessoas acreditam, erradamente, que o crime apenas existe após a celebração do casamento ou após a emissão da autorização de residência.
⚠️ Isso não corresponde à realidade jurídica portuguesa.
A própria tentativa pode ser punida criminalmente.
O crime pode considerar-se tentado a partir do momento em que a documentação é apresentada na Conservatória do Registo Civil com o propósito exclusivo de regularização migratória.
Se houver suspeitas sobre a autenticidade da relação e a Conservatória impedir a celebração do casamento, os envolvidos ainda assim podem responder criminalmente por tentativa.
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Quem Organiza ou Facilita Também Pode Responder Criminalmente
A lei portuguesa não pune apenas os nubentes.
Intermediários, organizadores ou pessoas que promovam este tipo de prática em troca de vantagens económicas também podem ser responsabilizados criminalmente.
A legislação prevê penas ainda mais graves para quem, de forma reiterada ou organizada:
- fomentar;
- facilitar;
- ou criar condições para casamentos simulados.
Nestes casos, a pena pode variar entre dois e seis anos de prisão.
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As Consequências de um Processo Criminal
As consequências de uma condenação por casamento fraudulento em Portugal vão muito além da pena criminal.
Entre os principais impactos jurídicos, destacam-se:
✔ Anulação do casamento ou união de facto
O vínculo é considerado inválido perante a lei portuguesa.
✔ Cancelamento da autorização de residência
O visto ou título obtido através do casamento torna-se imediatamente inválido.
✔ Processo de expulsão de Portugal
O cidadão estrangeiro poderá ficar sujeito a medidas de expulsão e proibição de entrada no Espaço Schengen.
✔ Registo criminal
Uma condenação criminal pode afetar futuras regularizações migratórias, pedidos de nacionalidade portuguesa e oportunidades profissionais.
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Regularização Migratória Deve Ser Feita com Segurança Jurídica
Questões relacionadas com imigração, autorização de residência e direito penal exigem orientação jurídica séria e estratégica.
👉 Decisões impulsivas ou soluções aparentemente “fáceis” podem gerar consequências criminais extremamente graves.
Se possui dúvidas sobre o seu processo de residência em Portugal ou foi envolvido numa investigação relacionada com casamento de conveniência, procure apoio jurídico especializado o quanto antes.



